Com base no Almir Sater...

hoje à noiie estarei efetuando mais uma viagem com meus queridos amigos de banda, musicos excelentes que tocam com nosso notável violeiro, compositor, interprete, ator e boiadeiro Almir Sater.

Estamos indo a Curitiba para mais um show naquela agradável cidade, mais precisamente em seu belo Teatro Guaira.

Devo agradecer a Deus pela chance de tocar com tão competente e conceituado artista de nossa boa musica brasileira, e devo confessar que quando me sento no banquinho de minha bateria e o show começa, já na primeira musica eu penso em tantos outros bons musicos brasileiros que não tem a mesma oportunidade que eu e os outros que ali estão no palco a esquentar água pro Almir fazer seu cafezinho musical.

Tenho dó de certos profissionais da musica, quando os vejo somente falar de jazz ou coisas congeneres, discutem essas coisas como se morassem nos USA e sabem de cór e salteado os nomes, titulos, ano, estudio, marca de instrumentos, quem toca com quem, quem não toca mais, e por aí vai...

Mas se voce perguntar algo sobre nossa musica eles vão ficar "boiando" literalment, como se a pergunta fosse de outro mundo - sim, certamente é de outro mundo, um mundo totalnmmente alheio à realidade em que eles vivem.

Não gosto do Ed Mota, da Ana Carolina, as "Jacksons da vida", dessas cantoras novas que aparaceram nos ultimos anos e que acham que cantar musica brasileira é seguir o estilo e a praia do Al Jarreau e de tantos outros cantores ianques. Poxa, é tão gostoso ouvir uma Mariana Aidar,uma Maria Rita, que não ficam entortando a boca como se fossem a Leny Andrade (essa sim, faz parte de um movimento e de uma época em que isso era natural, além do fato de ser uma senhora cantora) ou a Sarah Vaughn ou a Ella Fitzgerald, ou ainda mais, a Mariah Carrey...

Um dia desses eu escutava um CD que a Som Livre lançou com temas da novela Páginas da Vida e descobri ali excelentes cantoras brasileiras que certamente não residem no Brasil e mesmo assim cantam como se estivessem a passear tranquilamente pelo calçadão de Copacabana ou então pela Vieira Soute numa tarde quente de domingo..., que coisa linda poder escutar essas moças, de nós desconhecidas, saber que existem cantoras por aí que ainda honram as musicas de autores como Tom Jobim, Vinicius, etc...

Tem gente com estilo legal, tem cantoras que enveredaram com bom gosto pelas praias da bossa-nova revisitada e ainda me emocionam, mas que diabos estão pensando e fazendo essas meninas que cantam com uma batata quente dentro da boca? Porque a Ivete Sangalo não canta com mais controle de sua potencia vocal e mostra mais sua brejeirice  e delicadeza, em vez de cantar tudo o que aparece como se estivesse em cima de um trio elétrico - tudo bem, ela é baiana, mas o que é que a baiana tem, além de lê-lê-ô? Tem muita coisa, minha gente, tem o Brasil na alma e a negritude com suas l]melhores caracteristicas nos meneios e suingues da alma.

Para cantar bem não basta apenas ter vigor fisico e gritar e falar com a multidão muito mais que cantar mesmo, que é bom..., é preciso se tocar que isto aqui é Brasil e que o Brasil não é brega, brega são os EUA...

Olha, gente, se é pra cantar torcendo a boca e jazzificar nossa musica, então mude de país e vá ganhar dinheiro lá nos EUA, deixe o Brasil para quem realmente entende de musica brasileira e sabe do povo brasileiro.

Tenho dito!!!

reflexões sobre a MPB

meus caros amigos,

antes de tudo, quero agradecer as mensagens que tenho recebido de voces e que serão sempre bem-vindas...

agora quero mesmo é falar sobre uma coisa que me chamou a atenção nos ultimos dias e que se refere à musica brasileira vista sob a ótica da maioria de nossos músicos, grande parte deles enorme sensibilidade e conhecimento técnico relacionado com suas especialidades no manejo e na arte de tocar um ou mais instrumentos.

Há um musico conterraneo meu, residente aqui na grande São Paulo, bom músico, arranjador, produtor musical, com cacife para se destacar nos meios artisticos e tudo o mais...- eu, atento à sua desenvoltura, propús à gravadora onde tenho lançado meus ultimos titulos (CPC-Umes) produzir um álbum desse meu amigo, o que foi prontamente aceito e avalizado em meu nome, etc, e foi aí que comecei a entender porque nossa musica instrumental não é consumida devidamente por nossa gente, à parte a ignorancia que campeia entre nossa população.

Trata-se do seguinte: mandei ao meu amigo para que ele ouvisse e entendesse o espirito da coisa, via internet, cópias em MP3 de faixas de meu ultimo álbum instrumental "ERA UMA VEZ...", crente que ele aou ouvir as faixas remetidas pudesse avaliar o conteúdo e observasse toda a brasilidade ali contida - em tempo, quero dizer que não sou a pessoa mais entendida em musica brasileira, mas como bom viajante e gira-mundo que sou, aprendi a tirar conclusões sobre a grande sensibilidade do povo de meu país e distinguir musica bem feita de musica mal feita....

Solicitei a ele que compusesse algumas canções instrumentais para se fazer uma gravação "demo", para primeira analise da gravadora e de seu diretor artistico e qual não foi minha surpresa quando ele me mostrou faixas jazzisticas, de qualidade média, todas com harmonias complexas, ritimos e divisões complicadas, melodias dificeis de entendimento e compreensão por parte de quem quer escutar boa musica sem ter que queimar os neuronios.

Aí me foi confirmada mais uma vez uma teoria que eu trago comigo desde os tempos em que tocava em bar pelas noites de Sampa, onde eu já percebia que a maioria de nossos musicos só quer tocar jazz ou então MPB com trejeitos de Jazz, macaqueando musicos norte-americanos, sem o minimo de percepção do que realmente é nossa musica nativa - falta-lhes a pesquisa e o conhecimento sobre o pobo brasileiro, seus costumes, sua criação e sua criativdade, suas festas populares, seus instrumentos musicais, principalmente aqueles de percussão, seus cantos e poesias, suas lendas e crenças, suas origens, enfim, tudo o que está diretamente relacionado com a parte mais nobre de nossa arte musical.

Daí, ainda tem gente por aí que não entende porque grande parte de nossos melhores músicos estão desempregados, pedindo pra tocar com qualquer um e eu e4xplico: porque não ousaram conhecer bem de perto a a alma dessas pessoas que escutam o brega, o calipso, o pagode e o forró plastificado, mas que trazem dentro de sim um bom gosto danado por coisas de alto nivel musical que lhes fale dentro do coração.

Ao comentar coom esse meu amigo a minha decepção com as musicas que ela havia composto respondeu-me que ainda não havia chegado a esse estágio de evolução e então eu me perguntei se eu realmente seria evoluido a esse ponto... tomara que sim, e que Deus conti nue me alertando e abrindo meus caminhos para aquilo que verdadeiramente traduz nossa musica, que é a simplicidade e o sentimento.

 

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